do JORNAL DO TRIÂNGULO, em ARAGUARI, (MG)
Ofensas, insultos, violência física, tortura psicológica, constrangimentos, problemas no expediente de trabalho, e piadas preconceituosas. Esse é o cotidiano de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais no Brasil. Os casos de homofobia seguem aumentando e fazendo vitimas pelo Brasil. Por dia jovens gays, lésbicas, transsexuais e travestis são mortos, agredidos, humilhados, e constrangidos por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero.
O JORNAL DO TRIÂNGULO ouviu especialistas e mostrará os recentes casos de homofobia no Brasil.
Violência contra Homossexuais
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| José teve sua orelha cortada, braço quebrado, e machucados por todo corpo. |
José Francisco Costa Vieira, de 32 anos, foi brutalmente agredido por cinco homens no Rio de Janeiro. José teve sua orelha cortada, braço quebrado, e machucados por todo corpo. A família alega que o jovem foi vitima de homofobia. Ele passou por uma cirurgia de seis horas e permanece internado em estado grave.
Em Sorocaba (SP) jovens acusam Guardas Municipais de agressão homofóbica. Um jovem conta que estava no terminal com o namorado e amigos. "Nós não fizemos nada a ninguém. Agente estava sendo respeitosos com todo mundo.", disse. Na abordagem, um dos guardas teria tropeçado e caído. Irritado, ele se levantou e iniciou as agressões contra o grupo usando um cassetete. O guarda também chutou as vitimas. "Foram socos, chutes, eu gritava por socorro.", lembra o jovem.
Um dos jovens acionou a Policia Militar (PM), segundo ele com a chegada da PM os insultos mudaram. "Antes era 'viadinhos' ai mudou para arruaceiros e vagabundos.", lembra. Uma mulher lésbica foi agredida pelos guardas. "Eles falaram que já que eu queria ser homem eu iria ser agredida como um homem.", lembra. A mulher levou vários golpes de cassetetes dos guardas.
Mesmo agredidos eles foram encaminhados a delegacia onde assinaram um boletim por desacato e resistência. A Policia Militar (PM) e Policia Civil investiga os guardas municipais.
Em João Pessoa, estado de Paraíba, são 20 casos registrados ao mês envolvendo denuncias de homofobia. "Infelizmente há uma sub-notificação de casos, até por que os crimes não são tipificados como homofobia. Na verdade, há a aplicação de artigos do Código Penal, ou seja, um crime de homofobia vai para a vala comum.", explica o delegado, Marcelo Falcone.
Segundo o delegado, mulheres lésbicas e homens gays são os que mais denunciam casos de homofobia.
No Brasil a homofobia não é crime, mais segundo o delegado crimes contra homossexuais não ficam impune. "É importante lembrarmos que a falta de uma legislação específica não quer dizer que o crime vai ficar impune, de forma alguma.", disse.
Segundo o Grupo Gay da Bahia, em 2015 cerca de 318 homossexuais foram vitimas de homicídios homofóbicos. Desse total, 52% eram homens gays, 37% travestis, 16% lésbicas, e 10% bissexuais.
Tortura psicológica
"A aceitação já se torna difícil para a vida da pessoa homossexual, seja ele homem ou mulher, a discriminação, o preconceito, a homofobia são na verdade uma tortura psicológica contra a pessoa.", explica Eva Cristina, terapeuta familiar. "Todos nós sabemos que a homossexualidade é comprovadamente genética, existem casos de irmãos gêmeos serem homossexuais, como aquela dupla Pepê e Neném, ambas são lésbicas, então quanto a esse assunto não há o que se discutir.", acrescenta a terapeuta.
Discriminar pessoas por sua orientação sexual ou identidade de gênero pode ser denunciado ao Disque-Direitos-Humanos 100, ou através da página do Ministério Público Federal (MPF) na internet.

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