O lucro líquido caiu 11,5 por cento na base anual, para 84,9 milhões de reais, afetado pela baixa contábil de ativos por atualização de sistemas de tecnologia e equipamentos do antigo centro de distribuição de Santa Catarina. Excluído esse impacto, o lucro teria atingido 92,3 milhões de reais.
"Foi um trimestre atípico", disse à Reuters o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Laurence Gomes, afirmando que uma combinação de fatores externos à companhia com questões internas afetaram as vendas.
O desempenho das vendas no conceito mesmas lojas foi pior do que estimativas de seis analistas de corretoras e bancos compiladas pela Reuters, que variavam de acréscimo de 0,9 por cento a queda de 2 por cento. A última vez que a Lojas Renner apurou queda nesse indicador foi no primeiro trimestre de 2009. No terceiro trimestre de 2015, houve alta de 12,6 por cento.
O lucro também ficou aquém das expectativas compiladas pela Thomson Reuters, de 105,9 milhões de reais.
A receita líquida das vendas com mercadorias da varejista de vestuário subiu 1 por cento ano a ano, a 1,26 bilhão de reais.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou 229 milhões de reais, quase estável ante o resultado de 2015, de 230,5 milhões de reais, pressionado pela operação de varejo, que recuou 10,1 por cento, enquanto o Ebitda ajustado dos produtos financeiros subiu 36,5 por cento.
As projeções da Thomson Reuters apontavam Ebitda de 250,6 milhões de reais.
Segundo o executivo, as vendas foram prejudicadas pelo ambiente econômico, com menor fluxo de pessoas em shopping centers, onde estão a grande maioria das lojas da rede, com agosto, pior mês do trimestre, afetado pelas Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Ele também citou o efeito de temperaturas mais baixas nas regiões Sul e Sudeste do país, no momento em que a companhia colocava nas lojas a nova coleção primavera verão.
Gomes citou a atualização da plataforma tecnológica da companhia, que também afetou o desempenho, pois os centros de distribuição ficaram duas semanas sem receber produtos e enviá-los para as lojas.
Segundo ele, no médio prazo essa nova plataforma vai suportar o crescimento do grupo, pois adicionar funcionalidades que se reverterão em maior eficiência operacional no varejo.
O executivo avalia que o quarto trimestre pode ser melhor que o terceiro e muito parecido com o último trimestre de 2015, com as questões internas melhorando, bem como a colocação da coleção e normalização da temperatura, mas destaca que o quadro econômico ainda não convida otimismo.
"Há sinais (de melhora), mas falta visibilidade", afirmou.
MARGENS
Apesar da queda nas vendas, a margem bruta encerrou o trimestre em 53,7 por cento, acima dos 53,1 por cento de um ano antes, favorecida justamente pelo estoque mais ajustado.
A margem Ebitda ajustada total passou de 18,5 para 18,2 por cento, com a companhia adequando despesas operacionais ao menor ritmo de vendas, mas poderia ter sido de 19,4 por cento não fosse a reoneração da folha de pagamento.
Na visão de Gomes, as margens teriam sido melhores não fosse o ambiente promocional e a previsão é de que elas sigam quase estáveis no próximo trimesre e em 2017, com o consumidor ainda sensível a preço e chance de continuidade do cenário mais agressivo de preços.
No terceiro trimestre, a empresa seguiu executando seu plano de expansão, com inauguração de 10 lojas, 6 da Renner e 4 da Camicado. Os investimentos totalizaram 106,8 milhões de reais, ante 166,8 milhões de reais um ano antes.
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