Médica afirma que criança de 7 anos estuprada é culpada pelo estupro

DIEGO VIEIRA
do JORNAL DO TRIÂNGULO, em ARAGUARI, (MG)

Uma criança de apenas 7 anos de idade foi violentada sexualmente por seu próprio tio em Rondonópolis, no Mato Grosso, a criança foi levada a unidade de saúde e a médica pediatra se recusou a atender a criança. A médica alegou que a criança 'era culpada pelo estupro'. Segundo a mãe da criança a pediatra afirmou que 'uma energia sexual que puxou o tio pra ter o sexo com ela'.

A médica disse que não queria se envolver 'naquele problema espiritual'. E afirmou que a criança foi violentada por problemas em suas 'vidas passadas'. 

"O cara (agressor sexual) tem uma energia sexual, se liga a uma criança, ela (a criança) vai e pratica.", teria dito a especialista a mãe da criança vitima do estupro. 

A mãe acionou a justiça contra a pediatra. O caso chegou ao Tribunal de Justiça em grau de apelação e a Primeira Câmara Cível do TJMT condenou a médica a indenizar a mãe da criança por danos morais, no valor de R$ 10 mil. A médica alegou liberdade de crença, consciência e de manifestação religiosa para justificar a conversa que teve com a mãe e a recusa em prestar o atendimento à vítima de estupro.

Para a justiça a médica praticou ato ilícito gerador de dano moral porque extrapolou os limites da boa conduta social e que ofendeu a mãe da criança ao atribuir à vítima a responsabilidade pela violência sexual sofrida, por supostas condutas imorais praticadas em vidas passadas.

De acordo com o advogado da família, a mãe da criança se sentiu muito constrangida e humilhada com as informações da médica.

Conselho Regional repudia atitude de médica

O Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso (CRM/MT) repudiou a atitude da médica. Segundo o conselho 'o profissional pode não querer atender um paciente por convicções pessoais, desde que não seja caso de urgência ou emergência.' 

Segundo o conselho, desde que não haja discriminação e preconceito um atendimento elitista o médico pode se recusar por questões pessoais ou religiosas.

O Conselho Regional de Medicina informou que abriu sindicância para apurar a médica, que pode ser advertida, ou suspensa da profissão.
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