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| O velório de dom Paulo se estenderá até aproximadamente às 15h de sexta-feira (16), quando seu corpo será sepultado na cripta da catedral. Foto: Reprodução / Agência Brasil |
O velório do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, morto no final da manhã de quarta-feira, (14), começou por volta das 20h na Catedral Metropolitana de São Paulo, na Sé, região central da cidade. Em procissão solene, o corpo de Arns foi recebido sob aplausos na catedral, onde uma missa de corpo presente, celebrada pelo arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, teve início às 20h20.
O velório de dom Paulo se estenderá até aproximadamente às 15h de sexta-feira (16), quando seu corpo será sepultado na cripta da catedral. Durante o período do funeral, serão feitas missas a cada duas horas. Dom Paulo tinha 95 anos de idade, 71 de sacerdócio e 76 de vida franciscana. Ele era cardeal desde 1973 e foi arcebispo metropolitano de São Paulo entre 1970 e 1998.
“Somos responsáveis pelo legado de dom Paulo. E, nesse momento, o silêncio de dom Paulo é eloquente no Brasil que se desmancha, que é corroído pela corrupção, pela violência e por tantas coisas. O legado de dom Paulo deveria de ser nesse momento um chamamento à humanização da vida, à superação de todos os desafios que nós estamos vivendo”, disse o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua.
Lancelotti lembrou ainda que Dom Evaristo sempre esteve ao lado dos trabalhadores e dos moradores de rua. “Sem dúvida, neste momento, dom Paulo estará ao lado dos trabalhadores, dos aposentados, dos moradores de rua, das crianças abandonadas, das pessoas sem condições de vida e de saúde. Dom Paulo é um legado de um Brasil que seja humano”.
O ex-secretário de Estado de Direitos Humanos, no governo Fernando Henrique Cardoso, e um dos membros da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, destacou que o dom Evaristo foi fundamental para a consolidação dos direitos humanos no Brasil. “Acho que ele foi um personagem chave que permitiu que se progredisse em uma política de estado de direitos humanos, desde o presidente Sarney até a presidenta Dilma”, disse.
No entanto, segundo Pinheiro, seu legado não tem sido preservado. “O primeiro ato desse governo foi o desmantelamento de tudo que se construiu na esteira do pensamento de dom Paulo: o Ministério dos Direitos Humanos, a Secretaria da Igualdade Racial, a Secretaria dos Direitos das Mulheres e todos os conselhos”, disse.


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